Natal dos Hospitais:
«14h30m
Benvindos a esta nossa festa dedicada a todos os nossos amigos que por motivos de saúde se encontram afastados das suas famílias e dos seus lares.
A todos os doentes desejamos desde já as mais rápidas melhoras e um abraço muito chegado de feliz Natal.
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21h00m
E para terminar temos a nossa 22ª convidada de hoje a Marizé Manecas, que nos vai cantar o seu mais recente hit nacional "Quem quer levar na racha leva, quem não quer leva na mesma!"»
Reparo que o famigerado Natal dos Hospitais dos primórdios vem, de alguns anos para cá, a multiplicar-se em horas e dias de duração, em estações de televisão, em moldes e em apresentadores.
Só não mudam mesmo são as caras de dor e de tédio embargados por sedativos, dos doentes, que assistem sem poder arredar pé a este tipo de espectáculos!
Julgo até que devem ser escolhidos a dedo, entre os que mais trabalho dão, ou que menos cooperam com o pessoal do hospital, como forma de castigo antecipado do Pai Natal.
Também me parece que tudo quanto for miragem de pretensão a cantor pimba, vai aparecer nos 3 canais de televisão a apresentar o seu novíssimo CD que por coincidência acabaram de lançar.
O que começou talvez por ser uma iniciativa genuína de convívio e partilha com os que infelizmente sofriam a necessidade de se encontrarem num hospital, tornou-se de um dia para o outro em mais uma iniciativa colectiva de auto-bajulação, de fins meramente comerciais.
E agora que uma vez mais o Natal se aproxima galopante em todas as frentes comerciais, as televisões alinham a sua programação e começam a publicitar os seus Natais dos Hospitais.
Por favor, dêm descanso aos pobres doentes. E já agora aos comuns telespectadores, que também agradecem, pois de certeza que se evitam umas consultas no psiquiatra.
Uma coisa é certa, enquanto a RTP foi o buraco sem fundo que se alimentava sempre insatisfeita dos nossos impostos sem qualquer tipo de concorrência, o que por lá passava era pura iniciativa ideológica.
Quem não se lembra da Tv Rural, do Vasco Granja ou do Passeio dos alegres.
Fora com o Natal dos Hospitais.
Viva o Tom Sawyer, o Dallas e a Vila Faia.