Nem que chova, nem que vente, parto em busca da civilização!
Mais propriamente para Barcelona.
Até ao meu regresso.
Quando hoje me sentei e preparei para jantar, mais uma vez, um menu de fast food americana, reparei num rapazito dos seus 12 anos, que acompanhava uma rapariga que julgo que fosse sua irmã e uma senhora mais velha, a mãe de ambos.
Reparei neste miúdo porque ele tinha o globo ocular avermelhado, preenchido de pequenos derrames e porque também tenho andado toda a semana a sofrer de um derrame ocular, que começam a ser bastante incómodo.
Saltava à vista que se tratava de uma família de nível médio superior.
O olhar deste miúdo pareceu-me bastante desafiador, olhos nos olhos, como que indulgente, e caracterizei, de imediato, como mais um daqueles miúdos metidos a espertinhos pelo hábito de verem concretizados todos os seus desejos pelo poder de compra dos paizinhos.
No entanto, quando ele ficou sozinho na mesa à espera que a mãe e irmã voltassem com os respectivos menus de fast food americana, heis que retira da mochila uma pequena bolsa e desta uma seringa doseadora para utilização infantil.
Percorreu-me uma primeira sensação de choque.
Este miúdo entretanto começa, dissimuladamente, a abanar a seringa ao nível do tampo da mesa, ao mesmo tempo que sobe uma das pernas dos calções que trazia.
A mãe e a irmã regressam no momento em que ele dá uso à seringa, com uma familiaridade desconcertante.
Juntei dois com dois e só podia tratar-se de uma pessoa insulino-dependente, cuja vermelhidão ocular deriva de alguma forma de glaucoma, bastante comum nos diabéticos.
Percebi que aquele olhar não era de desafio, mas sim de alguém que, por via de uma doença, aprendeu de muito novo a lidar com uma situação que consegue descontrolar a vida de muitos adultos.
Já em casa ocorreu-me que, sendo ele o único a não ter um menu de fast food à frente, por ventura de respeitar uma dieta alimentar adequada, poderá vir a ser, de todos os presentes, o que levará uma vida mais saudável.
Fica aqui feita justiça ao verdadeiro nome de uma comentadora, que no meu último post foi erroneamente chamada de Esponjinha.
Há pouco tempo li um texto em que as palavras tinham todas as letras trocadas com excepção da primeira e última letras, o que, para grande espanto de todos, não impedia a leitura rápida nem a compreenção desse mesmo texto.
O facto era explicado pela forma como o cérebro humano interpreta as sequências de letras (palavras).
Posto isto, parece-me que o meu cérebro resolveu introduzir uma letra onde ela não existe. Será falha de processamento ou será mensagem subliminar: "Está na altura de uma noite de copos sua... esponjinha!"
Acho que vou pela última opção!
PS: tal como explicado pela própria, o nome provém da expressão alentejana "espojinho", que designa um pequeno tornado.
Esponjinha,
depois de ler os teus comentários decidi deixar-te um desafio:
A Regra dos Quatro
Está à venda na Bertrand, por enquanto a preço de lançamento com 10% de desconto.
Comecei ontem a ler e pensei que pudesses querer acompanhar.
E não desvendo mais nada porque os bons mistérios saboreiam-se página a página...
Ela decidiu!
(ahh, e antes que as imaginações férteis comecem a fervilhar...
...NÃO! Não tem nada a ver com casamentos e coisas dessas.)
Nos últimos tempos, tenho observado um grande número de pessoas, que me estão próximas, questionar-se da mesma forma, "E agora?".
O engraçado desta questão foi a minha constatação da heterogeneidade deste grupo de amigos, ou melhor, deste conjunto de individualidades provenientes de dispersos grupos de amigos.
Por um lado, identifica-se o conjunto dos recém-licenciados, que naturalmente se questionam "E agora?". Todos estes anos a estudar e a lutar por um objectivo tão bem definido e tão presente e de repente, já está, foi alcançado e extinguiu-se num certificado, deixando à sua passagem um enorme vazio de certezas. Agora é só indefenição em relação a um futuro tão próximo e tão imprevisível.
(As saudades que eu tenho de quando passei por isso)
Mas do outro lado, encontram-se os meus ex-colegas de curso, todos eles com experiência profissional, relativamente bem sucedidos, até à data e para a idade, que começam a questionar se as suas perspectivas de futuro são ponderáveis e minimamente desejáveis ou se tudo o que conseguiram até agora terá de ser suficiente para os próximos anos.
A percepção de que as chefias têm apenas mais 5 anos do que nós e que elas próprias não têm margem de manobra é uma visão perturbadora...
Entretanto, enquanto uns contam os dias sem receber telefonemas, no meio de tantos CVs enviados, outros contam os dias por se tornarem iguais, no esgotar das suas expectativas de futuro.
Uns desesperam pelo futuro, outros anseiam pelo futuro seguinte.
Eu, por mim também já mudava qualquer coisa.
Sei lá...
...ia estudar ou mudava de ramo!
(...)
Será que esta questão nos continuará a ocupar o espírito, uma e outra vez, ao longo das nossas vidas?
Começa-me a parecer que os "E agora?" são nada mais, nada menos, do que uma menstruação psicológica.
Algo que nos avisa do término de um ciclo e nos desperta para o início de outro.
Sabem que mais?
E agora?
Hoje li um comentário (num dos blogs aqui do lado direito), que me fez reflectir...
"Só é espectador quem se demite da vida!"
From small beginnings, rise the redwood
To oversee 2000 years
From her vantage, we’re all insects
From her stillness, we’re all on speed
Though each is different, in its motion
There’s perfection in the seed
What is going down?
One man lives, one man dies
One forgives, one gets crucified
Life just takes you to the bone
One is lost and one is found
One is saved and one is drowned
Life just takes you to the bone
One born rich and one born poor
Life’s a bitch and I’m her whore
Life just takes you to the bone
In the big picture, amongst humans
There’s such detail, frame by frame
All the ranges of confusion
I’m with the fat man, Life is pain
What is going down?
One man lives, one man dies
One forgives, one gets crucified
Life just takes you to the bone
One is lost and one is found
One is saved and one is drowned
Life just takes you to the bone
What you doing with that body?
It’s just borrowed
You confuse yourself,
You confuse yourself
One born rich, one born poor
Life’s a bitch and I’m her whore
Life just takes you to the bone
You confuse yourself
You’re not mind
You’re not thought
You’re not flesh
It’s not yours
Take your foot off the gas
There’s a human being in here
That’s beside yourself
There’s a spirit in here
That’s beside yourself
Slow down, reach out, I guess
One just prays to be in love
The other one kills in the name of God
Life just takes you to the bone
One makes bombs in Palestine
Nothing to lose except his life
Just takes you to the bone
One born rich, one born poor
Life’s a bitch and I’m her whore
Life just takes you to the bone
Tim Booth - Bone
"Marcelo abandona posto de comentador
Marcelo Rebelo de Sousa cessou a sua colaboração com a TVI onde exercia a função de comentador desde Maio de 2000. O ex-presidente do PSD decidiu pôr fim aos seus comentários na TVI após uma conversa com o presidente da Media Capital."
Daqui a algumas horas esta notícia estará em todos os telejornais, por agora acabei de ler no site da TSF e transcrevo apenas o cabeçalho da mesma.
Já andava desde 2ª feira a remoer este assunto e fico com a clara impressão de que, de uma forma incompreensível e quase impensável, até o Ferro Rodrigues, que se insurgia a qualquer indício de má lingua a seu respeito, soube lidar melhor com a crítica domingueira do que o actual governo!
Este é mais um daqueles assuntos em que mais vale evitar grandes análises políticas, pois disso teremos nós em grande quantidade nos dias que se seguem.
Pessoalmente, gosto da forma pedagógica como o Professor comenta(va) e não vejo a necessidade de se exigir «o contraditório» nos comentários políticos de uma individualidade.
Parece-me que no final, teremos perdido um dos bons momentos da televisão portuguesa (que já vão sendo poucos).
Falava eu, há dois posts atrás, acerca do gosto pela leitura e do sabor de um bom livro, quando mencionei o livro que conseguia, na altura, ocupar-me todos os minutos a que se pudesse chamar tempo livre.
Acabei por recomendar a leitura imediata desse mesmo livro, "O Código Da Vinci".
Acho que por esta altura, com toda a polémica e falatório que se gerou em torno deste livro, já todos o leram, começaram a ler, ou pensaram em ler, pelo que pouco poderei adicionar ao que já se sabe, ouviu e leu a seu respeito.
Posso no entanto referir que se tratou do livro que devorei mais depressa.
Acho que não posso utilizar outra expressão que não esta, "devorar"!
Nos primeiros capítulos a curiosidade natural de todos nós é tomada de assalto, arrebatada e viciada na descoberta, capítulo após capítulo, dos pormenores do mistério, da trama e da história.
Resumindo, tem de ser lido de uma só assentada e com grande sofreguidão.
A sensação que ficou depois de ler a palavra "FIM", "Terminou? Então e agora?! ", foi semi-acalmada pela esperança do Dan Brown se despachar a cumprir o que já prometeu... na mais nada menos do que escrever o Código da Vinci - 2 !
Certo, certo é o filme que estará pronto para o ano que vem e que também promete, tanto pelos nomes envolvidos na produção (Ron Howard, Brian Grazer e Akiva Goldsman, produtor, director e guionista de "Uma Mente Brilhante"), como pelos actores que podem vir a desempenhar o papel principal (Tom Hanks, George Clooney e Russell Crowe).
Enquanto o filme não chega, fiquemo-nos pelas leituras, que já ficamos bem!