(Recebido por email)
Ano 2070. Acabo de completar 50 anos, mas a minha aparência é de alguém com 85.
Tenho sérios problemas renais porque bebo muito pouca água.
Creio que me resta pouco tempo.
Hoje sou uma das pessoas mais idosas nesta sociedade.
Recordo quando tinha 5 anos. Tudo era muito diferente.
Havia muitas árvores nos parques, as casas tinham bonitos jardins e eu podia disfrutar de um banho de chuveiro com cerca de uma hora.
Agora usamos toalhas de azeite mineral para limpar a pele.
Antes, todas as mulheres mostravam as suas formosas cabeleiras. Agora, devemos rapar a cabeça para a manter limpa sem água. Antes, o meu pai lavava o carro com a água que saía de uma mangueira. Hoje, os meninos não acreditam que a água se utilizava dessa forma.
Recordo que havia muitos anuncios que diziam CUIDA DA ÁGUA, só que ninguém lhes ligava - pensávamos que a água jamais podia acabar.
Agora, todos os rios, barragens, lagoas e mantos acuíferos estão irreversivelmente contaminados ou esgotados. Antes, a quantidade de água indicada como ideal para beber eram oito copos por dia por pessoa adulta.
Hoje só posso beber meio copo. A roupa é descartável, o que aumenta grandemente a quantidade de lixo e tivémos que voltar a usar os poços sépticos (fossas) como no século passado já que as redes de esgotos não se usam por falta de àgua.
A aparência da população é horrorosa! corpos desfalecidos, enrugados pela desidratação, cheios de chagas na pele provocadas pelos raios ultravioletas que já não tem a capa de ozono que os filtrava na atmosfera.
Imensos desertos constituem a paisagem que nos rodeia por todos os lados.
As infecções gastrointestinais, as enfermidades da pele e das vias urinárias são as principais causas de morte.
A industria está paralizada e o desemprego é dramático. As fábricas dessalinizadoras são a principal fonte de emprego e pagam-nos em agua potável o salário.
Os assaltos por um bidão de agua são comuns nas ruas desertas. A comida é 80% sintética. Pela ressequidade da pele, uma jovem de 20 anos está como se tivesse 40. Os cientistas investigam, mas não parece haver solução possivel. Não se pode fabricar agua, o oxigénio também está degradado por falta de arvores e isso ajuda a diminuir o coeficiente intelectual das novas gerações.
Alterou-se também a morfologia dos espermatozoides de muitos individuos e como consequência há muitos meninos com insuficiências, mutações e deformações.
O governo cobra-nos pelo ar que respiramos (137 m3 por dia por habitante adulto).
As pessoas que não podem pagar são retiradas das "zonas ventiladas".
Estas estão dotadas de gigantescos pulmões mecanicos que funcionam a energia solar. Embora não sendo de boa qualidade, pode-se respirar.
A idade média é de 35 anos.
Em alguns países existem manchas de vegetação normalmente perto de um rio, que é fortemente vigiado pelo exercito. A água tornou-se num tesouro muito cobiçado - mais do que o ouro ou os diamantes.
Aqui não há arvores, porque quase nunca chove e quando se regista precipitação, é de chuva ácida.
As estações do ano tem sido severamente alteradas pelos testes atómicos.
Advertiam-nos que deviamos cuidar do meio ambiente e ninguém fez caso.
Quando a minha filha me pede que lhe fale de quando era jovem descrevo o bonito que eram os bosques, lhe falo da chuva, das flores, do agradável que era tomar banho e poder pescar nos rios e barragens, beber toda a agua que quisesse, o saudável que era a gente, ela pergunta-me:
Papá! Porque se acabou a agua?
Então, sinto um nó na garganta. Não deixo de me sentir culpado, porque pertenço à geração que foi destruindo o meio ambiente ou simplesmente não levámos em conta tantos avisos.
Agora os nossos filhos pagam um preço alto e sinceramente creio que a vida na terra já não será possivel dentro de muito pouco tempo porque a destruição do meio ambiente chegou a um ponto irreversivel.
Como gostaria voltar atrás e fazer com que toda a humanidade compreendesse isto, quando ainda podiamos fazer algo para salvar ao nosso planeta terra !
Documento extraído da revista biográfica "Crónicas de los Tiempos" de Abril de 2002.
Reparei que os últimos CDs adicionados à minha colecção são todos de grupos portugueses!
Uns mais conhecidos, outros menos e de estilos bem diferentes, mas todos portugueses!
Reparei e fiquei satisfeito.
Nos últimos tempos, tenho observado um grande número de pessoas, que me estão próximas, questionar-se da mesma forma, "E agora?".
O engraçado desta questão foi a minha constatação da heterogeneidade deste grupo de amigos, ou melhor, deste conjunto de individualidades provenientes de dispersos grupos de amigos.
Por um lado, identifica-se o conjunto dos recém-licenciados, que naturalmente se questionam "E agora?". Todos estes anos a estudar e a lutar por um objectivo tão bem definido e tão presente e de repente, já está, foi alcançado e extinguiu-se num certificado, deixando à sua passagem um enorme vazio de certezas. Agora é só indefenição em relação a um futuro tão próximo e tão imprevisível.
(As saudades que eu tenho de quando passei por isso)
Mas do outro lado, encontram-se os meus ex-colegas de curso, todos eles com experiência profissional, relativamente bem sucedidos, até à data e para a idade, que começam a questionar se as suas perspectivas de futuro são ponderáveis e minimamente desejáveis ou se tudo o que conseguiram até agora terá de ser suficiente para os próximos anos.
A percepção de que as chefias têm apenas mais 5 anos do que nós e que elas próprias não têm margem de manobra é uma visão perturbadora...
Entretanto, enquanto uns contam os dias sem receber telefonemas, no meio de tantos CVs enviados, outros contam os dias por se tornarem iguais, no esgotar das suas expectativas de futuro.
Uns desesperam pelo futuro, outros anseiam pelo futuro seguinte.
Eu, por mim também já mudava qualquer coisa.
Sei lá...
...ia estudar ou mudava de ramo!
(...)
Será que esta questão nos continuará a ocupar o espírito, uma e outra vez, ao longo das nossas vidas?
Começa-me a parecer que os "E agora?" são nada mais, nada menos, do que uma menstruação psicológica.
Algo que nos avisa do término de um ciclo e nos desperta para o início de outro.
Sabem que mais?
E agora?
Hoje li um comentário (num dos blogs aqui do lado direito), que me fez reflectir...
"Só é espectador quem se demite da vida!"
From small beginnings, rise the redwood
To oversee 2000 years
From her vantage, we’re all insects
From her stillness, we’re all on speed
Though each is different, in its motion
There’s perfection in the seed
What is going down?
One man lives, one man dies
One forgives, one gets crucified
Life just takes you to the bone
One is lost and one is found
One is saved and one is drowned
Life just takes you to the bone
One born rich and one born poor
Life’s a bitch and I’m her whore
Life just takes you to the bone
In the big picture, amongst humans
There’s such detail, frame by frame
All the ranges of confusion
I’m with the fat man, Life is pain
What is going down?
One man lives, one man dies
One forgives, one gets crucified
Life just takes you to the bone
One is lost and one is found
One is saved and one is drowned
Life just takes you to the bone
What you doing with that body?
It’s just borrowed
You confuse yourself,
You confuse yourself
One born rich, one born poor
Life’s a bitch and I’m her whore
Life just takes you to the bone
You confuse yourself
You’re not mind
You’re not thought
You’re not flesh
It’s not yours
Take your foot off the gas
There’s a human being in here
That’s beside yourself
There’s a spirit in here
That’s beside yourself
Slow down, reach out, I guess
One just prays to be in love
The other one kills in the name of God
Life just takes you to the bone
One makes bombs in Palestine
Nothing to lose except his life
Just takes you to the bone
One born rich, one born poor
Life’s a bitch and I’m her whore
Life just takes you to the bone
Tim Booth - Bone
Já comentei por aqui, que a leitura tem para mim um gostinho especial.
Aprecio por demais um bom livro, daqueles que me enchem as medidas, que me levam a pensar, que me surpreendem o raciocínio, ou que me preenchem os sentidos. Daqueles que depois da 2ª tranche de leitura, me acompanham durante o dia, só para poderem preencher alguns períodos de tempo morto (como as viagens de Metro de manhã e ao fim do dia).
Também aprecio um bom filme, mas de uma forma totalmente diferente. Já fui vidrado em cinema, nos tempos de estudante, em que me permitia assistir a pelo menos uma estreia por semana. Belos tempos esses em que as visitas ao video-clube se tornavam tormentosas, pela dificuldade em encontrar algo decente ainda não tivesse visto.
Mas um bom livro é totalmente diferente de um bom filme!
Um bom livro recorre unicamente às letras e à narrativa, para exprimir a sua mensagem, para nos encimnhar pela narrativa, levando-nos a imaginar individualmente, com maior ou menor liberdade, os cenários, as personagens, os movimentos, as perspectivas, para nos fazer pensar no que poderá acontecer de seguida e reflectir nas entrelinhas.
Um bom livro define o ritmo de acontecimentos de forma hábil e interessante, acabando por imprimir a sua vontade sobre o nosso ritmo de leitura.
Um bom livro, torna-nos insaciáveis e dependentes da sua leitura ávida e constante.
O pior de um bom livro é que... acaba por terminar!, deixando um sabor a pouco e, por ventura, um sentimento como que de solidão.
Neste momento estou a terminar a leitura de bom livro e não pude deixar de o transmitir, ao incógnito visitante que agora me lê.
O livro de que falo é o Código da Vinci e merece, só ele, um post.
Ficam então duas recomendações:
1ª - Voltem a passar por aqui dentro de uns dias. Prometo que terão um post sobre o Código da Vinci
2ª - Procurem ler este livro o mais rapidamente possível
Há relativamente pouco tempo, aprendi que uma das regras aplicadas pelos financeiros é a regra da precaução e prende-se com o não contabilizar proveitos ou receitas antes de tempo.
Diria a sabedoria popular "Não contar com o ovo no cú da galinha"!
Realmente parece óbvio. Mas, geralmente, são as coisas mais óbvias que acabam por ser conscientemente esquecidas, sempre que tal se mostra favorável aos objectivos pretendidos.
Nos últimos dias, assistiu-se, pois, a uma clara e gratuíta demonstração do desrespeito desta regra, por parte do PP de Aznar e de Mariano Rajoy.
Perante o hediondo massacre da passada 5ª feira, o partido governante em Espanha (e praticamente reeleito pelas sondagens às tendências de voto), resolveu abdicar de uma posição de precaução e tomar uma posição de clara defesa dos seus interesses. Esta posição implicou a defesa de que os atentados teriam autoria interna e de dedo imediatamente apontado à ETA (embora os representantes Etarras se manifestassem repetidas vezes em prol da sua não intervenção no caso e de inúmeros especialistas se referirem à variância do método usado face à forma de operar dos Etarras), afirmaram impossível a existência de alguma relação da Al Quaeda ou movimento islâmico com o caso.
Salta à vista a conveniência de que assim fosse, mas perante os factos, não seria preferível esperar para ver? Tomar uma posição de força neutral? Pretender apurar os factos, em vez de acusar sem provas?
Ao tentar perceber, só vislumbro uma razão para esta actuação, à imagem do que aconteceu após o 11 de Setembro, este PP não esperava que as investigações produzissem resultados tão depressa e a escassos dias das eleições permitiram-se todas as declarações que reforçassem a sua posição até ao dia do povo escolher. O seu avanço era suficiente para serem reeleitos e depois se veria.
No entanto, não quiz o destino que assim fosse e desde os primeiros indícios levantados pelos investigadores, até à detenção de alguns presumíveis membros de uma célula terrorista localizada em Espanha, a imagem da Al Quaeda tomou cada vez mais forma e volume.
As reacções anti-apoio-ao-Bush, que já tinham despontado aqui e ali, voltaram com a força do pré guerra do Iraque.
Manifestações, vaias e apupos, o PP viu a pouco e pouco a areia escorrer por entre os dedos que tentava fechar a todo o custo.
Os Espanhóis não gostaram de entrar na guerra, muito menos gostaram de sofrer um atentado que tudo aponta estar relacionado com essa mesma guerra e detestaram sentir-se ludibriados e enganados pelo governo. O mais engraçado e pouco habitual é que a punição nunca tinha sido tão fácil e tão próxima.
O resultado todos já o sabemos. Tchau PP. Olá PSOE.
Os Espanhóis sentiram-se ressarcidos. A justiça fora reposta.
Veremos se esta convulsão política, de resultados tão imediatos, será boa ou má para a Espanha. Para já fica:
1º - a forma como o PP deixou fugir um mandato que parecia garantido
2º - a constatação de como, pela primeira vez (que eu saiba), um acto terrorista conseguiu mudar o destino político de uma democracia estável!
Dá que pensar.
Ao escrever o manifesto anterior, acabei por ganhar vontade de partilhar algo.
O tema proposto a dissertação na semana passada no Bicho de 7 Cabeças foi "Vivendo e aprendendo".
Como uma das suas cabeças, lá postei na 5ª feira, focalizando a necesidade de aprendizagem constante, como único meio de enfrentar a mudança que será, cada vez mais, imposta pelo mundo profissional.
Eu sei que, hoje em dia, tal se reflecte a 200% no meio privado e talvez a 5% na estrutura pública mas acabará por chegar a todos.
Repito aqui uma frase que ouvi a semana passada "Só as estátuas é que não mudam e todos sabemos o que os pombos lhes fazem". (um dia destes ainda faço um post a sério sobre a Mudança)
Tudo isto para chegar ao ponto em que, ao mudar de funções, há relativamente pouco tempo, tive de reiniciar o processo de aprendizagem.
Passadas algumas barreiras nos últimos tempos, por vezes de forma encorajadora, outras mais desmotivadoras, estou à beira de um teste de certificação CISCO (para quem sabe o que é isso).
Na prática são 3 volumes de 200 páginas para marrar e um teste em que o resultado mínimo é de 850 em 1000.
Nem vos digo nem vos conto, mas tenho tido uma dificuldade em me dedicar!!!
Arranjo de tudo para não me sentar em frente aos livros e isto tendo plena consciência da necessidade de o fazer e sabendo que dentro de alguns dias me vou sentir de corda na garganta...
...mas o que tem de ser tem muita força, por isso, daqui a 2 semanas logo vos digo qual foi o resultado.
(já agora e para ajudar, se chumbar desembolso €250)
Numa das viagens de Fidel Castro ao estrangeiro, um jornalista, ao entrevistá-lo, comentou:
"A situação, em Cuba, está tão má, que as universitárias se tornaram prostitutas".
Ao que o Fidel retorquiu:
"Não é bem assim. A situação em Cuba é tão boa, que até as prostitutas são universitárias!"
A capacidade de olhar as coisas de forma diferente proporciona-nos descobertas incríveis!
"A maior de todas as coisas que a sabedoria proporciona, para tornar a vida inteiramente feliz é, sem dúvida, a amizade!"
Epicuro (filósofo grego)
A 5ª feira é um aquele dia que marca o início do fim-de-semana. Bom, quer dizer, do fim-de-semana, propriamente dito, não! Mas sim do espírito de advento que antecede os dias mais esperados da semana.
No entanto, a 5ª feira é aquele dia em que, por muito que se deseje o seu término, por muito rápido que acabe por passar e por muito que pareça que o fim de semana já está à porta, só nos engana, pois só nos oferece nada mais, nada menos do que...
...1 novo dia de trabalho! Que jornada tão infrutífera... tantas esperanças e afinal é igualzinho a todos os outros dias...
Para dias como estes não há nada como um treino de Bate-bola...
5ª feira!
Mas o que tem a 5ª feira de diferente da 2ª, da 3ª, da 4ª ou da 6ª?
Aparentemente muito, principalmente em relação à 6ª - dia mais lindo- , mas, na realidade, nada.
A semana tem 5 dias laborais e 2 de folga. Logo 5 dias em se trabalha e 2 em que se descansa.
Para quem ainda não interiorizou, isto é, 5 dias em que as nossas capacidades, competências e valências são postas ao serviço das nossas funções ou ocupação. 5 dias em que construímos, passo a passo, um nome, uma carreira, uma reputação, uma imagem, uma marca. 5 dias em que nos devemos propor, a auto-satisfação pelos nossos resultados e pelo produto que nasce dos nossos esforços.
Já agora, a grande maioria das pessoas é paga por aquilo que faz. Ao se pensar nisso, não deveriam sobressair dúvidas. Porque nos pagam? Para ocuparmos o espaço físico que nos está reservado numa sala ou secretária? A isto eu respondo NÃO! pois recuso-me a ser mais um dos meros ocupantes de cadeiras ou secretárias. Recuso-me a ser mais um entre tantos, pois custa-me ver como a grande maioria dos portugueses se empanturram de mediocridade, desleixam as deadlines, atafulham as agendas de compromissos e reuniões, com a ilusão de que são pessoas muito ocupadas, deixando a floresta de papéis crescer, sem a mínima vontade de produzir.
Outros há que já não lutam para se enganarem. O local de trabalho converte-se em oficina, atelier, mesa de jogos, banca de permanente discussão jornalística e posto de telecomunicações gratuitas. Pelo menos são sinceros!
É muito fácil exigir, mas não podemos esquecer que tudo tem de ter o respectivo retorno. Não podemos imitar o Governo que decide exigir contenção e rectidão nas deveres cívicos (principalmente no que toca a pagar €) a cada um de nós, mas depois elabora esquemas de mau pagador, desvios dúbios e retenção de receitas e até empréstimos de cicatrização momentânea de dívidas inaceitáveis.
Assim, é com esforço e dedicação que vos digo VAMOS LÁ MAS É TRABALHAR!
O país tem de andar para a frente!
Recebido por email - Autor desconhecido
(...)"Em conversa com o irmão mais novo de um amigo, cheguei a uma triste conclusão.
A juventude de hoje, na faixa que vai até aos 20 anos, está perdida.
E está perdida porque não conhece os grandes valores que orientaram os que hoje rondam os trinta.
O grande choque, entre outros nessa conversa, foi quando lhe falei no Tom Sawyer.
Quem?" , perguntou ele.Quem?! Ele não sabe quem é o Tom Sawyer! Meu Deus...
Como é que ele consegue viver com ele mesmo?
A própria música: "Tu que andas sempre descalço, Tom Sawyer, junto ao rio a passear, Tom Sawyer, mil amigos deixarás, aqui e além..." era para ele como o hino senegalês cantado em mandarim.
Claro que depois dessa surpresa, ocorreu-me que provavelmente ele não conhece
outros ícones da juventude de outrora. O D' Artacão, esse herói canídeo, que estava apaixonado por uma caniche; Sebastien et le Soleil, combatendo os terríveis Olmecs; Galáctica, que acalentava os sonhos dos jovens, com as suas naves triangulares; O Automan, com o seu Lamborghini que dava curvas a noventa graus; O mítico Homem da Atlântida, com o Patrick Duffy e as suas membranas no meio dos dedos; A Super-Mulher, heroína que nos prendia à televisão só para a ver mudar de roupa (era às voltas, lembram-se?); O Barco do Amor, que apesar de agora reposto na Sic Radical, não é a mesma coisa. Naquela altura era actual...; E para acabar a lista, a mais clássica de todas as séries, e que marcou mais gente numa só geração: O Verão Azul.
Ora bem, quem não conhece o Verão Azul merece morrer. Quem não chorou com a
morte do velho Shanquete, não merece o ar que respira. Quem, meu Deus, não sabe assobiar a música do genérico, não anda cá a fazer nada.
Depois há toda uma série de situações pelas quais estes jovens não passaram, o que os torna fracos. Ele nunca subiu a uma árvore! E pior, nunca caiu de uma. É um mole. Ele não viveu a sua infância a sonhar que um dia ia ser duplo de cinema. Ele não se transformava num super-herói quando brincava com os amigos. Ele não fazia guerras de cartuchos, com os canudos que roubávamos nas obras e que depois personalizávamos. Aliás, para ele é inconcebível que se vá a uma obra. Ele nunca roubou chocolates no supermercado. O Bate-pé para ele é marcar o ritmo de uma canção.
Confesso, senti-me velho...
Esta juventude de hoje está a crescer à frente de um computador. Tudo bem, por mim estão na boa, mas é que se houver uma situação de perigo real, em que tenham de fugir de algum sítio ou de alguma catástrofe, eles vão ficar à toa, à procura do comando da Playstation e a gritar pela Lara Croft. Óbvio, nunca caíram quando eram mais novos. Nunca fizeram feridas, nunca andaram a fazer corridas de bicicleta uns contra os outros. Hoje, se um miúdo cai, está pelo menos dois dias no hospital, a levar pontos e a fazer exames a possíveis infecções, e depois está dois meses em casa a fazer tratamento a uma doença que lhe descobriram por ter caído. Doenças com nomes tipo "Moleculum
infanticus", que não existiam antigamente. No meu tempo, se um gajo dava um malho (muitas vezes chamado de "terno") nem via se havia sangue, e se houvesse, não era nada que um bocado de terra espalhada por cima não estancasse. Eu hoje já nem vejo as mães virem à rua buscar os putos pelas orelhas, porque eles estavam a jogar à bola com os ténis novos. Um gajo na altura aprendia a viver com o perigo. Havia uma hipótese real de se entrar na droga, de se engravidar uma miúda com 14 anos, de apanharmos tétano num prego enferrujado, de se ser raptado quando se apanhava boleia para ir para a praia. E sabíamos viver com isso. Não estamos cá? Não somos até a geração que possivelmente atinge objectivos maiores com menos idade? E ainda nos chamavam geração "rasca"... Nós éramos mais a geração "à rasca" , isso sim. Sempre à rasca de dinheiro, sempre à rasca para passar de ano, sempre à rasca para entrar na universidade, sempre à rasca a ver se a namorada estava grávida, sempre à rasca para tirar a carta, para o pai emprestar o carro. Agora não falta nada aos putos. Eu, para ter um mísero Spectrum 48K, tive que pedir à família toda para se juntar e para servir de prenda de anos e Natal, tudo junto. Hoje, ele é Playstation, PC, telemóvel, portátil, Gameboy, tudo. Claro, pede-se a um chavalo de 14 anos para dar uma volta de bicicleta e ele pergunta onde é que se mete a moeda, ou quantos bytes de RAM tem aquela versão da bicicleta.
Com tanta protecção que se quis dar à juventude de hoje, só se conseguiu que 8 em cada dez putos sejam cromos. Antes, só havia um cromo por turma. Era o tóto de óculos, que levava porrada de todos, que não podia jogar à bola e que não tinha namoradas. É certo que depois veio a ser líder de algum partido, ou gerente de alguma empresa de computadores, mas não curtiu nada. Hoje, se um puto é normal, ou seja, não tem óculos, nem aparelho nos dentes, as miúdas andam atrás dele, anda de bicicleta e fica na rua até às dez da noite, os outros são proibidos de se dar com ele."(...)
Acabei de saber que Miklos Fehér morreu.
Após 3 paragens cardíacas e igual número de tentativas de reanimação, acabou por não resistir.
Diz-se que, antigamente, um guerreiro tinha como maior honra o morrer em plena batalha. Miklos acabou por não morrer em pleno relvado, mas pouco faltou para isso. Diria mais, será que não foi ali, em pleno relvado, que se decretou desde logo a sua morte?
Um médico da UEFA referia-se, há pouco, às normas da UEFA no que toca aos meios médicos obrigatórios nos estádios, "2 centros médicos completamente equipados por cada 30 mil lugares sentados e um médico com a especialização em emergência médica".
Vários médicos de renome se têm pronunciado nos últimos minutos e todos eles apontam, de imediato, a inexistência de um equipamento desfibrilador cardíaco como uma gravíssima falha de segurança médica num recinto onde se disputam competições oficiais de futebol e um dos palcos do próximo campeonato europeu de futebol.
Parece-me que acabámos de assistir (desta vez em directo e a cores) a mais uma das irresponsabilidades tão típicas e usuais em Portugal.
O nosso tão conhecido espírito de desenrasque, que numa sociedade moderna e desenvolvida é apreciado pela sua criatividade em situações nada expectáveis e de excepcional pressão e reduzido tempo de resposta, é neste país a que chamamos nosso a principal ferramenta a que se recorre em todas e quaisquer situações, substituindo, de forma tão cómoda, todo o trabalho de preparação, de planeamento e acompanhamento, a que se deveriam dedicar os esforços e atenção necessários.
Pois bem, hoje morreu um jogador de 24 anos, de carácter recto e conduta exemplar, com uma paragem cardíaca, no estádio onde se encontrava a defender as cores do clube onde militava.
Será que o destino com que este exemplar jogador foi brindado poderia ter sido evitado?
Será que basta dizer-se que foi feito tudo o que era possível, com os meios de que se dispunha?
Será que Miklos Fehér estaria neste momento vivo e a recuperar caso o estádio estivesse equipado com os equipamentos recomendados?
Será que hoje nos deitamos e dormimos descansados, com a consciência de que talvez se pudesse ter evitado uma morte desnecessária?
Será que a morte deste atleta pode servir de exemplo e alerta, à sociedade nacional e internacional, da (in)capacidade de Portugal em organizar, na verdadeira ascensão da palavra, um evento desportivo que irá movimentar centenas de milhar de adeptos em território português?
Será que não basta já de utilizar desculpas como "com a EXPO98 correu tudo bem por isso não há razão para que agora não corra tudo de igual forma"?
A Sociedade Portuguesa continua a viver numa lacuna estrutural abismal, num mundo onde a visão de longo prazo se resume a alguns meses, senão dias, e onde planeamento se reduz a uma palavra para usar em discursos e reuniões.
Urge alterar esta mentalidade.
Urge ponderar todas as hipóteses e riscos em tempo útil e criar o hábito saudável do crescimento sustentado e não do oportunismo cínico!
Urge... urge...
...urge abandonar a canção da desgraçadinha, sim porque o Fado é bom para as noites de boémia e de saudade, mas nunca para cartilha de vida!
É, assim, tão fácil de satisfazer a ambição e auto-estima dos portugueses?
Com tanto potencial encefálico que exportamos anualmente para as Universidades estrangeiras, eu diria que não!
Mas... para quando a restruturação desta sociedade decadente, que vive de favoritismos e de palmadas nas costas e se inclina perante o culto do facilitismo?
É cada vez mais difícil de ignorar o mal estar dos jovens de potencial deste país face ao comodismo balofo dos poderes instituídos, mas não se vislumbra qualquer abertura à mudança tão necessária.
Isto já vai longo, por isso fico-me por aqui.
Gostava apenas que não fossem vãs as palavras que exprimem as ideias de quem tem vontade de trabalhar a sério e construír um Portugal melhor.
A ti Fehér dedico-te uma grande salva de palmas, pelo teu profissionalismo e forma de estar na vida.
Deixo, aqui, o repto à leitura duma estória baseada em factos reais...
A MULHER DE VERMELHO - PARTE III
....tendo eu desempenhado o papel de Sujeito A, gostaria apenas de fazer algumas considerações:
- Em tudo existe um ponto óptimo, a partir do qual não se deve, por ética, avançar. Isto para dizer que a brincadeira relatada não devia de ter ido tão longe. A Amizade é uma das coisas com que não se deve brincar. Já são bastantes os momentos chave e as situações impostas pela vida em que a Amizade é posta à prova, ou melhor, chamada a intervir, pelo que "não havia necessidade"...
- Por outro lado, se não se puder brincar com os nossos amigos, com quem o poderemos fazer?
- Galhofa à parte, acabei por assistir, de forma inesperada, a uma das maiores manifestações de Amizade para comigo de que tenho conhecimento, um verdadeiro Um por todos e todos por um, ao dar um passo em frente em defesa de um amigo.
- Engraçado como, no final de tudo isto, acabei por ficar com a nítida sensação de estar em dívida para com este meu amigo!
Um efusivo Bem Haja ao Comandante.
O post de hoje é apenas para me revoltar.
AAAAAIIII PORTUGAL!!!!!
Que país este! Por vezes só me dá vontade de fazer a trouxa e ir passar uns anitos a um país civilizado, a ganhar o dobro, a trabalhar menos horas diárias, com melhores condições e, acima de tudo, onde haja respeito pelas pessoas e pelas profissões e actividades que desempenham, em vez do engraxa-doutores que em Portugal mais parece desporto nacional.
Outro dia entrei num stand de automóveis vestido de calças de ganga e ténis e só não me ignoram por acaso, juro que o objectivo principal do vendedor passou a ser despachar-me para poder atender um cliente a sério. No entanto, entrei nesse mesmo stand alguns dias depois e, por acaso, vestia fato e gravata e passei a ser o cliente número 1, com direito a café e tudo (é claro que ele nem se lembrava de mim).
Nos bancos, quando chegamos à profissão deixo de ser o "Menino, vá lá rápido!" e passo a ser o "Sr.Eng. se faz favor".
Ou então:
"P:Habilitações?
R:Licenciatura.
P:O sr.Dr. blá, blá, blá!
R:EU NÃO SOU DOUTOR!!! Deixe-se de fitas e trate-me pelo meu nome."
São apenas exemplos, entre tantos, da falta de respeito que as pessoas dispensam umas às outras. O que interessa é um título, mesmo que se seja uma boa besta! E uma pessoa que não o tenha será sempre um ser inferior, mesmo que se trate exactamente do contrário...
Portugal e Portugueses, por favor CRESÇAM!!!
E aprendam a ser civilizados.
Só a título de curiosidade, ouvi hoje pela manhã os comentários do Nilton.
Dizia ele que o Saddam não pensou bem as coisas.
Se o homem se queria mascarar para não ser caçado, não se devia ter mascarado de Bin Laden (o 2º mais procurado, depois de Saddam). Se ele se mascarasse de António Guterres ainda vá que não vá!
Já se sabia que ia dar no que deu!!!
Uma piada engraçada e politicamente venenosa...
Natal dos Hospitais:
«14h30m
Benvindos a esta nossa festa dedicada a todos os nossos amigos que por motivos de saúde se encontram afastados das suas famílias e dos seus lares.
A todos os doentes desejamos desde já as mais rápidas melhoras e um abraço muito chegado de feliz Natal.
<...>
21h00m
E para terminar temos a nossa 22ª convidada de hoje a Marizé Manecas, que nos vai cantar o seu mais recente hit nacional "Quem quer levar na racha leva, quem não quer leva na mesma!"»
Reparo que o famigerado Natal dos Hospitais dos primórdios vem, de alguns anos para cá, a multiplicar-se em horas e dias de duração, em estações de televisão, em moldes e em apresentadores.
Só não mudam mesmo são as caras de dor e de tédio embargados por sedativos, dos doentes, que assistem sem poder arredar pé a este tipo de espectáculos!
Julgo até que devem ser escolhidos a dedo, entre os que mais trabalho dão, ou que menos cooperam com o pessoal do hospital, como forma de castigo antecipado do Pai Natal.
Também me parece que tudo quanto for miragem de pretensão a cantor pimba, vai aparecer nos 3 canais de televisão a apresentar o seu novíssimo CD que por coincidência acabaram de lançar.
O que começou talvez por ser uma iniciativa genuína de convívio e partilha com os que infelizmente sofriam a necessidade de se encontrarem num hospital, tornou-se de um dia para o outro em mais uma iniciativa colectiva de auto-bajulação, de fins meramente comerciais.
E agora que uma vez mais o Natal se aproxima galopante em todas as frentes comerciais, as televisões alinham a sua programação e começam a publicitar os seus Natais dos Hospitais.
Por favor, dêm descanso aos pobres doentes. E já agora aos comuns telespectadores, que também agradecem, pois de certeza que se evitam umas consultas no psiquiatra.
Uma coisa é certa, enquanto a RTP foi o buraco sem fundo que se alimentava sempre insatisfeita dos nossos impostos sem qualquer tipo de concorrência, o que por lá passava era pura iniciativa ideológica.
Quem não se lembra da Tv Rural, do Vasco Granja ou do Passeio dos alegres.
Fora com o Natal dos Hospitais.
Viva o Tom Sawyer, o Dallas e a Vila Faia.
Grande veleidade a minha (qual imberbe naïfe) resolvi comprar um carro novo.
Como todos os futuros compradores, consultei uma bateria de revistas especializadas, o que sempre evita que faça cara de parvo quando os vendedores começarem a falar do multi-link, do catalisador, do easy-drive, dos faróis de xenon, do Turbo compressor, da norma europeia de emissões, etc, etc, etc,...
Para além de permitirem falar o dialecto automobilês, estas revistas permitem, ainda, uma grande poupança de tempo, no que toca a parlapié de vendedor. Entro, descrevo o que quero, recolho informações, preços e condições, saio. Tudo isto em 30m, com desconto incluído e financiamento calculado. A vida moderna á assim! Já não se negoceia (vulgo regateia"), nem se vive o momento da escolha e da compra. A vida tornou-se numa "rapidinha", ou melhor, em rapidinhas muito curtas, mas imediatamente consecutivas, que cumprem um ritual cíclico e interminável.
Voltando aos automóveis, resolvo que, como membro desta sociedade auto-mutilada por acidentes de viação, devo valorizar os elementos de segurança activa e passiva. Airbags disto e daquilo, pré-tensores assim e assado, faróis maravilha, piscas de travagem, luzes e limpa-parabrisas automáticos, blá, blá, blá...
Tem de se pensar no pior e mais vale prevenir do que remediar!
Inicia-se a caça à informação, que se repete de stand em stand:
PB + IA, ups, preço base mais o quê? IA? mas o que é isto? Imposto Automóvel? Mais parece que estou a comprar 2 carros em vez de 1 só!
Vou mas é escolher a versão mais baixa.
PB + IA + IVA, ups, IVA? Mas que história é esta? Não acabei de somar o imposto? Mas isto é imposto sobre o imposto!!?!
Devo estar distraído, pois trata-se de um verdadeiro assalto e eu nem vi as pistolas!
Escolho a versão abaixo, o modelo mais barato, mudo de marca e por fim tomo uma decisão. Compro mas é em 2ª mão!
É claro que não vai ser novo. Mas até pode ser que esteja estimado. Que não venha muito mau.
Quanto às mariquices da segurança, é para esquecer. Estes carros não têm nada disso e vendo bem as coisas, o mais certo é nem precisarem. Quando os meus pais tinham a minha idade, já todos conduziam e quase não havia acidentes, eh, eh. E depois eu até sou um gajo cuidadoso, por isso estou à vontade (bom, de qualquer das formas, também não posso comprar um novo).
No stand de usados, faço a minha escolha. 90cv e 180km/h, bem bom, até dá para picar na auto-estrada! Tem 80.000km, a chapa está boa e os pneus recauchutados também. Ainda por cima veio da Alemanha, por isso é bom de certeza.
<...>
Esta história repete-se dia após dia.
O preço de um carro novo em Portugal inclui dois impostos, o IA (em média 36,9% do preço base) e o IVA (19% do PB + IA), sendo dos mais elevados da Europa (cerca de 2 vezes superior ao dos nossos arqui-rivais Espanhóis).
60% do preço dos combustíveis é imposto. Mais ainda, agora parece que conduzir potencia o risco de incêndios catastróficos no Verão, pois quem vai pagar a reflorestação das matas portuguesas serão somente os automobilistas, com mais uma taxa de circulação.
Não esquecendo todos os aumentos, super rápidos a entrar em cena nas habituais situações de crise orçamental, pode-se mesmo dizer que "O Automóvel é a teta de que o Estado continua a alimentar-se!" (DECO).
O envelhecimento galopante do parque automóvel não abona a favor da diminuição da taxa de acidentes, muito pelo contrário, facilita cada vez mais a ocorrência dos mesmos devido à falta de dispositivos de segurança que se vão tornando, a pouco e pouco, indispensáveis nos automóveis modernos.
Os preços dos carros novos só pode levar à diminuição da sua aquisição. O sector já está em crise há algum tempo. A redução de pessoal é posta em prática e os despedimentos sucedem-se.
Acima de tudo parece-me que, com a diminuição dos impostos já referidos, a variação das receitas fiscais acabaria por ser positiva, derivada do aumento de vendas, já para não falar em contrariar os efeitos descritos anteriormente.
Julgo eu, deste meu ponto de vista naïfe, que em vez de apenas se penalizar a utilização e compra de automóveis, se deveria começar a apostar mais no desenvolvimento dos transportes públicos, como alternativa viável e confortável aos automóveis.
Será que com transportes públicos decentes, em condições e a horas certas, as pessoas não prefeririam as deslocações descansadas na companhia da leitura, ou da música, em detrimento das filas e do stress inerentes à utilização de carros em cidades como Lisboa, Porto e outras que tais?
Bom, já chega, vou mas é apanhar o autocarro, que estou a ficar atrasado. Até depois!
Aahhh! Afinal hoje é dia de greve e os autocarros só passam de 2h em 2h...
Bem,... e o taxi é caro...
...por isso levo mas é o carro. Vou e venho quando quiser e já está!
O blog começou por ser pequeno, mas logo cresceu rapidamente, post a post, até ser aquilo que hoje é, um longo registo de pequenas recordações de duvidosa importância.
Foi isto que o seu dono pensou, e poderou até apagá-lo, mas era um homem muito esquecido, e o blog tinha uma memória extraordinária.
[A moral desta história não oferece quaisquer dúvidas; se tens má memória, confia na do teu blog]
by Paulo Querido e Luís Ene in Blogs
E é assim que mais uma 2ªfeira se converte numa 2ªfeira diferente, que passará a ser igual a tantas outras nos próximos 15 meses.
Cortam-se algumas faixas, mantêm-se outras, pela televisão ajornalista confessa que "a fila engrossa e cresce" (!), os portugueses aguentam.
Os de Lisboa dizem que não os afecta, os de Cascais saltam-lhe a tampa. Os de Lisboa dizem, que já pagaram a parte deles ao comprar casa cara e pequena e sem condições, mas em Lx. Os de Cascais insurgem-se com tudo isto, ao fim e ao cabo isto é tudo uma falta de caché.
Os cartazes levantam-se, as máquinas descem e cavam. O Portugal fica suspenso, a pergunta fica no ar:
"Será que vale a pena, os custos e o sacrifício?"
O Santaninha informa de mais uns milhões para gastar em estacionamento para esta malta toda.
Já agora pergunto eu: E os transportes públicos??
Deve ser Tabu!
14de Janeiro de 2011, sexta-feira. José, 36 anos, vive num confortável T3 em Odivelas, uma das principais cidades-dormitório da Grande Lisboa.
São 7 horas da manhã e José desperta ao som de um clássico dos Supertramp que parece provir de alguns dos imperceptíveis altifalantes dispostos por todo o apartamento. Há alguns anos, José havia instalado o seu próprio kit wireless LAN, um sistema muito útil e simples de utilizar, sobretudo após os avanços verificados no uso da rede eléctrica doméstica para fins de telecomunicações.
José está levemente irritado porque teria preferido ficar a dormir um pouco mais, após uma árdua noite de trabalho no seu escritório doméstico. Como sempre, esqueceu-se de prevenir o computador.
“Os computadores continuam tão estúpidos como há vinte anos”, desabafa. “Já devia ter comprado um daqueles programas com função de reconhecimento do sono. Adiante, onde estão os meus óculos?”.
José não tem quaisquer problemas ópticos. Os óculos VV (”virtual vision”) são simplesmente a melhor maneira de se penetrar no mundo virtual. Recostado na cama, decide abrir o e-mail. “Abrir o correio!”, exclama pausadamente José, cuja voz cavernosa da manhã sempre lhe colocou problemas de reconhecimento digital.
Quando se preparava para deslocar o rato virtual com um simples movimento das mãos, foi abanado por mensagens vocais e ícones ameaçadores.
José tinha comprado os primeiros óculos VV havia cinco anos. Já nem se lembrava do nome do fornecedor, provavelmente desaparecido ou adquirido por uma empresa de maior porte.
Naquele tempo, o uso deste tipo de equipamentos era muito limitado. Não passavam de um ecrã transparente acoplado a um efeito de espelho. Nada de comparável aos óculos de hoje – uma imagem virtual, simultaneamente opaca e transparente, escritório electrónico com microfone incorporado e auriculares de reconhecimento vocal.
Na caixa do correio há uma mensagem da empresa que fabricou os óculos. Informa-o de que houve uma mudança nas especificações da sua wireless LAN e que, por isso, terá de fazer um upgrade do software de rede. “Outra vez! É a segunda nesta semana!”. O mail pergunta se quer ver a nova versão instalada de imediato. José rosna “Está bem, pronto!” e reclina-se na cama. De repente, tudo fica preto. Algo no upgrade era incompatível com o resto do software. Não é a primeira vez que acontece e José já conhece os truques. Tira os óculos, levanta-se da cama e dirige-se ao computador central.
Algumas teclas batidas e uns menus volvidos, os óculos voltam a estar operacionais. “Posso regressar à cama”, conclui José.
O gestor do sistema doméstico lembra-lhe que o café já está pronto há algum tempo na cozinha. É nesse momento que decide deslocar-se à empresa. Aborrece-se com o tele-trabalho e precisa de vez em quando encontrar-se com os colegas. “Bom, já que saio, é melhor informar este estúpido gestor virtual doméstico”. Enquanto se dirige para a cozinha, o ecrã no corredor previne-o outra vez de uma deficiência de antena. “Já sei, tenho de comprar uma nova.
Estas antenas são piores que as lâmpadas. Quando é que serão capazes de fabricar coisas baratas e fiáveis?”, grunhe José, descontente. Uns segundos mais e aparece um anúncio: “O melhor preço do momento é o Hometel 155 Mb/s compatível com a versão V2006. Dez euros. Disponível em stock. Prazo de entrega: um dia. Compra?”. “OK, compro. Use a minha conta no banco Millenium”. A transacção flui sem problemas e José só tem de fazer mais um clique de confirmação.
Depois do duche tomado, José sai de casa sem qualquer cartão de identificação nem chaves. Só os óculos VV. A porta do apartamento fecha-se sozinha e o carro já está à espera na garagem. A tecnologia pioneira V2008 ainda coloca alguns problemas de segurança, mas as coisas melhoraram muito desde o seu lançamento. O carro sabe qual o melhor caminho a tomar, em função dos fluxos de tráfego, mas José ainda prefere o modo manual. Ele, que sempre foi um apaixonado pelas novas tecnologias, aprendeu por conta própria a nunca confiar demasiado nelas.
Uma vez no escritório, José senta-se e activa o posto de trabalho. Não há muito que fazer. Almoça com os colegas e faz umas compras no shopping. Pelas cinco da tarde, regressa a casa. Tem um jantar virtual combinado com a namorada, que vive nos Açores. Conheceram-se numa mostra de arte virtual desfrutando um mesmo quadro. Mais tarde e pela noite fora gozará no espaço cibernético a febre de sexta-feira à noite, “já que os sábados foram feitos para se dormir toda a manhã”, suspira José.
De repente, lembra-se. Amanhã é dia de eleições. É verdade que, após uma longa luta da comunidade cibernáutica, os políticos tinham cedido ao voto electrónico a partir de casa, o que torna as coisas muito mais cómodas. Mas há aquela regra absurda da janela temporal – o voto à distância tem de se processar entre as 8 e as 9 da manhã –, que só vem complicar a vida aos noctívagos. Que fazer? “Que se lixe, não voto”, conclui José.
Nota final: Este conto é uma adaptação de um dos cenários futuristas traçados pela Foundation for Strategic Research, uma prestigiada instituição sueca virada para os estudos de prospectiva. A moral da história fica para mais tarde.
por Luis Nazaré in www.negocios.pt